abril 29, 2012

ela que pergunta
nos apaixonamos
por pessoas
ou por contextos?

(eu respondi contextos)

abril 18, 2012

eu disse oi
e daí jamais
fomos estranhos
outra vez

março 15, 2012

eu queria te entregar um céu
branco não, cinza
não:
eu queria era esconder o presente
no sol que
sobe e tinge a cidade

de bonito
e espera que a gente
acredite em uma espécie de paraíso matinal
que
olha

nem existe

janeiro 19, 2012

eu só queria te segurar sem
seus pés tocarem o chão

janeiro 14, 2012

já não tenho que pensar em estela
como estela era
ela que vive em função de fotos
e gravuras

inexistentes
ou aquela outra pose perfeita que ficaria perfeita
em um vestido específico

janeiro 13, 2012

Não sei do que são feitas as chuvas do fim do dia. Sei que o fenômeno existe, pontual como um mito; como se um Deus esquecido o controlasse ou não restasse dúvidas ao acaso. Devo acreditar que a chuva não é apenas água e nuvens e vento e pontualidade? Um fenômeno natural precisa ser verdade, como símbolo. A chuva, se estendendo todos os dias em todas as direções a partir de um centro negro que macula a luz – não o calor –, precisa ser um discurso. Precisa ter uma história.

janeiro 12, 2012

barthes: o autor está morto, mas as pessoas são burras. abs

janeiro 10, 2012

hoje parece que chove
porque a vida é complexa e não há
finais perfeitos: a felicidade
é um jardim cercado de vidro

em que nada acontece
mas mover-se não precisa ser
destruição embora seja tristeza
e perda e solidão e saudade
e lágrimas várias vezes ao dia

janeiro 09, 2012

é estranho que permaneçamos neste estado
de coisas alienadas e que a vontade seja feita
apenas quando volto e não é tarde e não há luz
ou roupas entre os gestos: somente espera

janeiro 07, 2012

eu quebro tu

outubro 27, 2011

setembro 12, 2011

in Just-spring

just as in summer
you dance / just
as in summer you
dance / just as in
summer: / & I can
only try

julho 19, 2011

o sol da manhã enche
a cama de lençóis desarrumados
feito gesto de tecidos em queda
sem pausas

queria tanto tirar tua roupa

junho 28, 2011

o que tenta estela
é o tempo não preenchido
entre os ciclos
transitórios das voltas

enquanto a vida
como um gesto ou uma fumaça que se abre
para duzentas bocas distintas
apenas continua

junho 16, 2011

basta um retorno para
satisfazer a posse das
coisas para expandir meu domínio
e tu
faz que não liga
ou teu domínio? tenho apenas
um tanto de lógica e
o espaço e as tardes [que são poucas]
e um cheiro