fevereiro 29, 2008
fevereiro 27, 2008
fevereiro 23, 2008
fevereiro 19, 2008
Mariana conheceu Vinícius e Renan na porta de uma balada qualquer. Eram quase quatro horas da manhã e os três estavam extremamente drogados. Vinícius, mais alto, logo chamou a atenção da garota, que demorou um pouco mais para notar o seu companheiro. Dias depois, quando se reconheceram em uma outra festa, nenhum deles foi capaz de reconstruir a conversa que os aproximou, ou que os manteve juntos por boa parte do resto de noite. A primeira lembrança comum que localizaram – se não verdadeira, um delírio coletivo – foi a de Renan e Vinícius bebendo vodka pura e explicando para Mariana uma teoria maluca – embora verossímil – sobre a semiótica do sexo na balada. Vinícius desenvolvera a teoria com Fábio, um colega seu de faculdade. Mariana, de calça jeans (justa) e regata branca (justíssima) dançava incansável entre Vinícius e Renan, concordando com os postulados, os três alheios à balada medíocre em que estavam. Outra lembrança partilhada pelo trio foi a de serem expulsos de um banheiro onde pretendiam cheirar cocaína junto de um aleatório qualquer. De volta à pista, contentaram-se com garrafas verdes de Heineken e baforadas de clorofórmio puro, que multiplicava inúmeras vezes as luzes e as batidas da música da pista de dança em uma sobreposição insana de sentidos e que queimava a pele quando a mira não acertava apenas a manga da camiseta.
fevereiro 12, 2008
fevereiro 11, 2008
fevereiro 02, 2008
U morava sozinha em um apartamento de dois quartos sala e cozinha. A fender preta em seu quarto era só uma peça decorativa que acumulava poeira. A mesa de vidro na sala, não. U gostava de cheirar cocaína. Cheirava como se não houvesse amanhã. Transava como se não houvesse amanhã. E quando estava na pista, dançava até o último segundo possível, aproveitando os limites, exatamente como fazia com todo o resto.
Quando acordou naquele dia, com a cabeça doendo, o corpo pesado, a garganta seca, U não se lembrava exatamente como chegara em casa. Na geladeira não havia água gelada mas uma última carreira de pó ainda se exibia sobre a mesa de vidro. U, no fundo, não gostava de cheirar pó. Era muito óbvio. Mesmo assim, cheirou mais uma vez, só pelo esporte.
janeiro 09, 2008
novembro 29, 2007
Só iria se fosse para cair de bêbada, deixou bem claro Mariana antes de tirar a camiseta branca com que passara o dia e se olhar no espelho só de calcinha e sutiã para escolher uma roupa que servisse aos seus propósitos de cair de bêbada, como deixara bem claro ser sua intenção antes de tirar o sutiã preto sem costura e a calcinha branca com detalhes em azul que não combinava com nada e se olhar no espelho pelada para escolher uma roupa que fosse cool sem ser tão cool assim afinal de contas o que queria era cair de bêbada, como, acha, já tinha ficado óbvio quando repetiu a sentença pela terceira vez antes de tirar os prendedores de cabelo e as pulseiras de prata que não fariam sentido com a roupa que tinha em mente enquanto ainda se olhava no espelho e pensava, deus, eu sou tão bonita.
crooked rain, crooked rain
se esconder da chuva
torrencial que nos agrediria no futuro
próximo
se só o que tínhamos no agora
era aquela garoa curva e um passado recente
que julgaríamos esquecido
quando a tempestade enfim nos atingisse
com gotas maiores que riscos
de caneta bic
e encharcasse nossos tênis da moda
outubro 11, 2007
outubro 03, 2007
shut the door
MAIS GRAVE
a medida que vamos indo para mais longe (mais longe) e ficando
mais distraídos
e a sua respiração é isso?
é a sua respiração? então você diz SIM
e a noite se desfaz em luzes apagadas
