março 26, 2007

poetricidade I

os ventos esféricos
SEMPRE PODEM           se quiserem
retornar
às especificidades urbanas
         das cidades          sempre podem
                                     os ventos sempre podem PODEM
DEVEM
                  e os doces cones férricos
                                            periféricos
                 aos becos periféricos
                 às modernidades periféricas
sempre
            esperam                        ESFERAM
                                                  podem           sempre
os dóceis ventos
ex tra tos FÉRICOS                  sempre
                                                 sopram

março 14, 2007

Contextos - I

Deitado no tapete da sala
observo o piscar das antenas de tevê
e tudo tem esse gosto de chocolate
meio-amargo com nuvens. Tudo. O céu
exatamente como cummings descreveu.
Candy luminous. Edible. E se eu
sentisse saudades de você? E se eu
sentisse? Será que nada diria além
de um 'volte logo' sem sentido?

fevereiro 28, 2007

      alone        thinking about implied bright
      things (& implying feelings
      in these lines)        i momentarily remember
      your last nigth's question

                & how i didn't answer it

                                   but if you was here to ask me
                                   now
                                   i would answer that
                                   tonight                this hot hot night
                                   what i want to hear you asking
                                   is if i like
                                   you

                                   ask:                      'do you like
                     me?'               ask me!

          & then
          i can stay
          in silence       silence

                                    a so closer-deep-quiet
                                    silence that looks into
                                    your eyes says to me
                                    i'd might look (touch
                                    with my lips) your half
                                    -opened lips

            & smile smile smile again

       'cus is not because i like you
       that i have to say that i like you

fevereiro 11, 2007

           o mundo gira
           ao redor
           do mundo
                    redemunho de pessoas bêbadas
           gritando gritando
 
           o mundo ao redor do mundo é silêncio
           silêncio
           
           SI LÊN CI O       pede ao mundo meu dedo
                                    enquanto acaricia leve
                                    a ponta do teu nariz

fevereiro 03, 2007

pedaços de beijos-
roxos     os larápios
se entreolham sufoca
dos               ca cos
pois de tudo
pe
  sam no mundo
  desnudos & ríspidos
              & na tardedensa [é tarde
é     i    meeen    sa     a    tarde]
lamúriaslilases riscam o alívio

[abril?
            
          na levemanhã as paredes-
             batom
            apodrecem o tempo
            gizdecera préescolar
          & do mundo sósorrir
            os matagais présedutores
 restam
             grato aos-
                        
                          já é abril?]

violentos bailes frebis
grato à senhorita por me conceder essa contradança

 reverência leve
    sorriso leve
            leve
                       leve-me:    grato ao orgasmo
grato ao orgasmo
sorriso-convulsão no vór
tice para den
tro de si
mesmo-
                        leve
      nem mesmo o menortoque

pedaçosroxos despedaçados
os beijos se entreolham
roubado

                             hoje é tarde quando
                             for tarde &
é tarde
            & os roxos beijos
            despedaçam os pedaços
            da minha tarde

em rimas aos estilhaços & ardê
ncias    [gardênias?

     outras sugestões lascivas
     passos de dança
     & outras varições frenéticas

mordidas-
beijos
aos poucos mosaicos
        os poucos & perdidos
beijos aos mosaicos

janeiro 30, 2007

libertinos

As noites bem que poderiam ser mais longas & frias, mais longas frias & absurdas – & nós bem que poderíamos termos mais lareiras mais abraços mais garrafas de vinho: mais calores, digo. As noites bem que poderiam ser mais lúbricas – as tardes deveriam ser mais lúbricas; as manhãs deveriam ser mais lúbricas: os dias deveriam ser mais lúbricos – as noites bem que poderiam ser mais lúbricas – mais longas & frias mais longas & frias mais quentes: bem que poderíamos termos mais garrafas de vinho, bem que poderíamos – quem sabe ficarmos bêbados por longas noites longas frias & quentes: talvez devêssemos fazer mais sexo & talvez acabássemos estuprando a noite da maneira exatamente correta de se estuprar a noite – talvez um blues; talvez um jazz; talvez um gemido, um grito alto. Talvez nas noites frias, nas noites longas, fosse necessário fazer sexo por um bom tempo – & por isso as noites deveriam ser mais longas, as noites mais frias, para que fizéssemos mais sexo ébrio & sorvêssemos a noite um no umbigo do outro – um na genital do outro – adjetivando-nos: lúbricos, telúricos, lascivos, concupiscentes: libertinos.

dezembro 20, 2006

O CONCRETO VIAJA
infindavelmente
para todos os lados
como um grande clichê
que não se encerra
dentro de si mesmo
& o céu
é um vão livre gigante
sustentado por colunas de luzes
invisíveis enquanto os carros
DESVIAM pelos caminhos
pelas placas
pelas latas
de alternativas aos marginais

novembro 29, 2006

take back my winter

você se infiltrava
de veranices
tolices
ice-
creams

novembro 21, 2006

dois cummings por renan

in just-
já Quase-
primavera    quando o mundo é doce-
barro o pequeno
baloeiro coxo
assovia    longe    e baixinho

e jocaegui vêm
correndos das bulicas e
piratarias e é primavera

quando o mundo é lamaravilha

o esquisito
velho baloeiro assovia
longe    e    baixinho
e dudaebel vêm dançar
cirandas e pular-corda e

é primavera
e o baloeiro
pédeBode    assovia
longe
e
baixinho

* * *

Buffalo Bill

Buffalo Bill
defunto
     que montava
     um garanhão prata
                     maciocomoágua
e derrubava umdoistrêsquatrocinco pombosdessejeito
                                                 Jesus

ele era um homem elegante
                      e o que eu quero saber é
como vocêr quer seu menino olhosazuis
Senhora Morte

novembro 13, 2006

cartier-bresson





na passagem do tempo

os ônibus se sucedem

às tragadas e aos cigarros
em fotogramas de um filme

há sempre o tempo certo

para bater uma cinza

e o segundo certo

para bater uma foto

novembro 07, 2006

licoroso francês (ou paris é um affair)

os suspiros envoltos
em doces abraços
embebidos de cherry
brandy eram na verdade
tentáculos óbvios

agora, imóvel no banco da praça
noto que você, andando
ao léu em volta da torre
é bem mais conceitual
do que concebi na cama

com um sorriso amarelo
engulimos a seco uma
declaração de amor inventado

novembro 06, 2006

poesia (ainda) de carnaval [Lavínia Rotrèvre]

a avenida era extremamente colorida.
a escola, a bateria
e as passistas também.
só eu era cinza.
eu era a cabrocha que queria
sambar ouvindo rock
inglês.
por isso fiquei em casa
bebendo uma xícara de chá
e usando roupas bem-comportadas,
sem lantejoula nenhuma.
mas, só de fantasia,
uma vez eu fui uma puta
cheia de glitter e purpurina.
às cinco em ponto sentei na mesa,
de cinta-liga e mini-saia,
e pedi que me servissem o chá.
às sete fui para a festa
e às nove e meia voltei
por algumas horas a ser aquela
brasileira de sempre.
duas e dezoito da manhã fui embora do seu apartamento
sem dizer adeus
sem dizer nem mesmo meu nome.
já em casa, às quatro e quarenta e três,
tomei a última garrafa de vinho francês
que restou da minha decadência.
uma cachaça cairia bem.

novembro 04, 2006

leminskiana manca

a cidade imensa
tudo pesa
menos tua lembrança

outubro 24, 2006

dois poemas

Blues Total (Lavínia Rotrèvre)

ilusões mulatas no meu corpo branco
samba
bossa
meu gingado no teu gingado.

na quarta-feira, totally blues.
[nem tenho mais melanina]

fiquei meio deprimida
quando tudo se acabou
em sujeira
maquiagem borrada
cheiro de suor
[teu suor?]
e um comprimido de engov.

nem tenho mais porque atravessar a avenida.
blues total.

* * *

magistral (Renan Fagundes)

duas estocadas
e já não sabemos
quem é quem

outubro 23, 2006

não tem mar (Lavínia Rotrève e Renan Fagundes)

sem que ninguém perguntasse
e com se não tivesse (me dito para fugir)
andei por toda a cidade
e que olhava o mar eu fingi

sem que ninguém me falasse
ou que alguém me quisesse (para se divertir)
larguei de tanta bondade
e que pretendia amar eu menti

sem que ninguém perguntasse
e com se não tivesse (me dito para fugir)
andei por toda a cidade
e que olhava o mar eu fingi

não tem mar
não tem niguém aqui