dezembro 20, 2006

O CONCRETO VIAJA
infindavelmente
para todos os lados
como um grande clichê
que não se encerra
dentro de si mesmo
& o céu
é um vão livre gigante
sustentado por colunas de luzes
invisíveis enquanto os carros
DESVIAM pelos caminhos
pelas placas
pelas latas
de alternativas aos marginais

novembro 29, 2006

take back my winter

você se infiltrava
de veranices
tolices
ice-
creams

novembro 21, 2006

dois cummings por renan

in just-
já Quase-
primavera    quando o mundo é doce-
barro o pequeno
baloeiro coxo
assovia    longe    e baixinho

e jocaegui vêm
correndos das bulicas e
piratarias e é primavera

quando o mundo é lamaravilha

o esquisito
velho baloeiro assovia
longe    e    baixinho
e dudaebel vêm dançar
cirandas e pular-corda e

é primavera
e o baloeiro
pédeBode    assovia
longe
e
baixinho

* * *

Buffalo Bill

Buffalo Bill
defunto
     que montava
     um garanhão prata
                     maciocomoágua
e derrubava umdoistrêsquatrocinco pombosdessejeito
                                                 Jesus

ele era um homem elegante
                      e o que eu quero saber é
como vocêr quer seu menino olhosazuis
Senhora Morte

novembro 13, 2006

cartier-bresson





na passagem do tempo

os ônibus se sucedem

às tragadas e aos cigarros
em fotogramas de um filme

há sempre o tempo certo

para bater uma cinza

e o segundo certo

para bater uma foto

novembro 07, 2006

licoroso francês (ou paris é um affair)

os suspiros envoltos
em doces abraços
embebidos de cherry
brandy eram na verdade
tentáculos óbvios

agora, imóvel no banco da praça
noto que você, andando
ao léu em volta da torre
é bem mais conceitual
do que concebi na cama

com um sorriso amarelo
engulimos a seco uma
declaração de amor inventado

novembro 06, 2006

poesia (ainda) de carnaval [Lavínia Rotrèvre]

a avenida era extremamente colorida.
a escola, a bateria
e as passistas também.
só eu era cinza.
eu era a cabrocha que queria
sambar ouvindo rock
inglês.
por isso fiquei em casa
bebendo uma xícara de chá
e usando roupas bem-comportadas,
sem lantejoula nenhuma.
mas, só de fantasia,
uma vez eu fui uma puta
cheia de glitter e purpurina.
às cinco em ponto sentei na mesa,
de cinta-liga e mini-saia,
e pedi que me servissem o chá.
às sete fui para a festa
e às nove e meia voltei
por algumas horas a ser aquela
brasileira de sempre.
duas e dezoito da manhã fui embora do seu apartamento
sem dizer adeus
sem dizer nem mesmo meu nome.
já em casa, às quatro e quarenta e três,
tomei a última garrafa de vinho francês
que restou da minha decadência.
uma cachaça cairia bem.

novembro 04, 2006

leminskiana manca

a cidade imensa
tudo pesa
menos tua lembrança

outubro 24, 2006

dois poemas

Blues Total (Lavínia Rotrèvre)

ilusões mulatas no meu corpo branco
samba
bossa
meu gingado no teu gingado.

na quarta-feira, totally blues.
[nem tenho mais melanina]

fiquei meio deprimida
quando tudo se acabou
em sujeira
maquiagem borrada
cheiro de suor
[teu suor?]
e um comprimido de engov.

nem tenho mais porque atravessar a avenida.
blues total.

* * *

magistral (Renan Fagundes)

duas estocadas
e já não sabemos
quem é quem

outubro 23, 2006

não tem mar (Lavínia Rotrève e Renan Fagundes)

sem que ninguém perguntasse
e com se não tivesse (me dito para fugir)
andei por toda a cidade
e que olhava o mar eu fingi

sem que ninguém me falasse
ou que alguém me quisesse (para se divertir)
larguei de tanta bondade
e que pretendia amar eu menti

sem que ninguém perguntasse
e com se não tivesse (me dito para fugir)
andei por toda a cidade
e que olhava o mar eu fingi

não tem mar
não tem niguém aqui

outubro 18, 2006

leve e distraída
eu andava pelo calçadão
na direção contrária
de todas as outras
pessoas [que corriam]

o mundo,
essa província.


Lavínia Rotrèvre

diz,tra[i]ções

peço emprestado o zippo prateado
e acendo meu cigarro
distraída
esquecendo-me que já não fumo

deixei o vício logo que você me deixou
e agora com ciúmes desse cigarro
que você traga distraído
traio-me com sua distração


depois acabo acendendo mais vários malboros lights
com o bic branco que alguém me vendeu
e observo você cada vez mais e mais longe


preciso voltar e olhar de novo aqueles dois cinzeiros
vazios



Lavínia Rotrèvre

outubro 17, 2006

as      ba
tidas
como in
        su
por
    tá veis can
ções          
    tal
vez
    ouou
         tra
       se
    ou      via
umapor
vez   e de t a   be
laamel
       o      dia
   dos    ritm
osa fri
           canos
e meus    ba
            rulh os
nadar    mô
      nicos

Épicos Explícitos - I

Nunca fora um segredo.
Norberto sabia exatamente
o que a deixava excitada:
o chocolate, as flores
o beijo na nuca
os dedos bem colocados
e uma leve agressividade.
Só esqueceu dos cigarros
de cravo
e da camisinha cor-de-rosa.

Nunca fora segredo a exatidão
complexa
dessas extravagâncias.
Nunca fora. Nunca.
Isso até Norberto descobrir
que tudo não passava
de uma desculpa e acabar
forçando a transa
numa pacata manhã de domingo.

Fora de si, ela gritou
alucinadamente pelos cigarros.
Ele, ébrio e assexuado pelo gozo
sufocou-a com o travesseiro
até que calasse a boca.
Em segredo gozaram, ambos, baixinho.

outubro 16, 2006

Quinto Poema

Lavínia escreveu, muda:

Queria ser sofisticada como Ana C.

água & champanhe

à porta de casa
ele a olha
falsa
uma última vez

o rosto maquiado
demais
o vestido
pomposo demais

na banheira
nua
chora sombra dourada
antes de ser
verdade